Tecidos podem ser reciclados?

 

A indústria têxtil é um dos setores que mais emprega no Brasil, mas também é um dos que mais poluem o meio ambiente. Processos químicos, desperdício de água, desmatamento de árvores e uso de substancias tóxicas são alguns problemas causados pelas empresas têxteis.

Há também o descarte irregular de toneladas de resíduos de tecidos que são direcionados aos aterros sanitários ou são incinerados. Para evitar que o tecido seja caracterizado como lixo comum, a Renovar Têxtil recicla os resíduos de pré-consumo, ou seja, resíduos de corte de confecção, e resíduos de tecelagens e fiações como ourelas e estopas.

O processo de descaracterização e de reciclagem do tecido envolve etapas como corte, desfibramento e reinserção no setor produtivo.

Por mês, a Renovar Têxtil recebe cerca de 100 toneladas de retalhos vindos de toda a cadeia têxtil. Em nosso histórico, já retiramos mais de 200 mil toneladas de resíduos sólidos que iam para os aterros sanitários, mas foram recolocados no mercado.

Os resíduos que recebemos para reciclagem podem entrar por meio de operação de compra, doação, ou serviço de reciclagem têxtil. Tudo vai depender das características dos materiais, como por exemplo o tipo, composição, finalidade, quantidade, armazenamento.

Para receber seu material têxtil (corte têxtil e de confecção, ourelas e estopas), vale se atentar:

– Não recebemos diretamente roupas e artigos de pós-consumo, ou seja, com aviamentos, costuras e sem higienização;

– Os resíduos não podem ter misturas com paetês, couro natural e laminados sintéticos (couro ecológico, pu, couro fake), tecidos resinados e dublados (tecidos colados), espumas, elásticos e passamanarias;

– Recebemos tecidos de todas as composições, sendo as mais comuns algodão, poliéster, viscose e poliamida com ou sem  elastano. O que diferencia em nosso processo é se elas estão separadas ou mistas.  Sendo que se estão separadas, elas possuem maior valor agregado, se são mistas elas são de baixo valor agregado;

– Precisamos saber para qual finalidade foram gerados os resíduos, ou seja, qual o produto final que a empresa produz, como por exemplo, camisetas, moda feminina, alfaiataria, uniformes, jeans, lingerie, moda praia, tapetes, etc.  Isso nos ajuda a entender a estrutura do tecido, a variedade que podemos esperar, e saber se de fato é um resíduo que podemos reciclar;

– Não conseguimos reciclar resíduos de moda praia devido a sua estrutura e quantidade de elastano. A reciclagem ideal para esse tipo de tecido é a aquela feita por indústrias de reciclagem plástica especializadas;

– Em caso de mantas, feltros, nãotecidos e estopas também precisamos saber a composição, origem e finalidade para entendermos a estrutura dos materiais;

– A quantidade de material recebido influencia na operação e no custo logístico, que é diluído no quilo do material. O frete é igual para transportar 100 kg e 2000 kg, por exemplo. A mão de obra para receber, classificar e armazenar os sacos também. Não recebemos pequenas quantidades;

– Os resíduos não podem ser armazenados no tempo, não podem estar sujos ou molhados, nem pode haver nenhum tipo de contaminação. Não pode conter resíduos orgânicos (restos de comida), metais (facas, tesouras, agulhas, alfinetes, etc), plásticos, pó e pedras (varreduras), papéis.

– O material precisa chegar à nossa empresa em sacos transparentes para melhor identificação e classificação dos resíduos (a melhor embalagem é o reaproveitamento do saco de rolos de tecidos); caixas de papelão não são aceitos.

Todas essas exigências influenciam principalmente na qualidade e no custo do nosso produto final. As fibras recicladas sustentáveis são reutilizadas para a produção de enchimento ecológico muito usado em almofadas, travesseiros, caminhas pet, pelúcia, mantas, não tecidos e cobertores. Esses produtos exigem maciez, fibra longa e uniformidade, que só podemos garantir com mais controle na aquisição de nossa matéria prima.

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